quinta-feira, 1 de abril de 2010

A memória das mãos

a memória boa que eu sempre tive
e te carregou em mim por anos sem conta

as formas belas de tuas faces
ossos e carnes marcando teu belo rosto

tua voz que não se pode esquecer
jeitos e trejeitos
delicadamente femininos

as coisas que eu não sabia de ti
teu lindo cabelo em redescoberta exuberância

mãos
mãos
mãos

as surpresas que minhas mãos reservavam
a mim mesmo

rever
rever o que eu não sabia saber

percorrer teu corpo
lentamente
maciamente

o toque delicado de teus recantos
teus doces encantos

redescobrir tuas texturas
invadir teu texto
redesenhar contextos

cheiro do teu corpo
em minhas mãos

cores de tua alma de mulher
em meu coração

--Março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Flores

Há tempo escrevo poemas, somente poemas; são tão fortes as muitas imagens que se passa com um poema.

Mas desta vez, há algo de diferente aqui. Hoje a saudade de te ver e de falar com você é imensa. Me lembro de seu sorriso tão largo, de sua alegria constante, da conversa que flui fácil e percorre os tantos temas de que são feitas nossas vidas. Sua voz inesquecívelm ressoa em minha memória.

E, então, queria te contar da plantinha que você me deu, das flores que você me deu. Como se estivesse sentado a seu lado e estivéssemos conversando novamente.

As flores se foram, mas a planta está linda! Cuido dela diariamente, verifico a umidade na terra do pequeno vaso. Me dei ao trabalho de colocar areia no pratinho que há debaixo do vaso, que é para essa pequena maravilha não virar criatório de anophelinos.

Escolhi um lugar para a plantinha, um lugar onde ela recebe luz, mas um lugar que fica ao abrigo do sol direto. É notável o lento movimento das folhas em direção à luz. Assim sendo, viro a plantinha um pouco, a cada dia. Ela cresce por igual, se espalhando pelo pequeno vaso.

As flores se foram, há apenas folhas e brotos agora. Me pergunto, em minha imensa ignorância, se as flores, algum, virão novamente meu pequeno vaso.

Minha ignorância é imensa porque jamais lidei com plantas. E, no entanto... no entanto estou eu aqui, cuidando dessa pequena planta que você me deu.

Creio que, de alguma forma, fui aprendendo algo com os anos. Vivendo, observando pessoas, observando a mim mesmo. Observando as pessoas nascerem, crescerem e morrerem, cuidando de plantas, de outras pessoas, de si mesmas.

E isso tudo que aprendi, talvez seja isso que tenha ensinado a aprender a cuidar da minha vida, dos meus filhos, do meu trabalho, dos meus estudos, dos meu amores, e também da planta que você me deu.

Talvez, então, assim como ela, tudo esteja crescendo também. As flores murcham e morrem, algumas folhas também. Mas, cuidada, a planta cresce e, cedou ou tarde, florescerá novamente.

-- Março de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Facção

retrato
fotografia
instatâneo

momento
pequeno
fixado no tempo

pedaço
fatia
lasca

minúscula fração das incontáveis possibilidades
inebriantes possibilidades

asfixiante impossibilidade

ah
tão maior q eu
tão imensamente maior q eu

e meus olhos
minha boca
ouvidos
pele

a vibrar
a vibrar com um mundo q não possuo
não posso apreender

mas que me invade
com força
gana
potência
ardor

--Fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amara máscara

E, então, usamos
MÁSCARAS!

Eu, que pensava buscar a transparência, encontro, em mim mesmo, a dissimulação estudada.

As faces que mostro
quando mostro
a quem mostro

As faces que oculto de mim mesmo

Quem sou sem minhas máscaras?
Quem sou se me escancaro?

Quando me escancaro
eu sei quem sou

Homem apaixonado
Louco descarado
Em busca do teu amor

Alter

Reconhecer-se
No olhar que mergulha no outro
Visita detalhes
Adivinha detalhes
Ver no outro o outro que é você
Reconhecer-se semelhante ao outro
A si mesmo
E também diferente de todos

Aceitar-se multiplicidade
Fonte inesgotável de pulsões
Desejos
Impulsos
Certezas
Dor
Fragilidades
Contradições

Aceitar-se cindido
Aceitar a outra (a outra, a outra, a outra)
Cindida
Incerta
Faminta
Perplexa

(pausa para suspiros)
(agora seria uma boa hora para levantar da cadeira e me trancar no banheiro)

Sentar e chorar
quando dá de cara
com o... (eu tenho medo dessa palavra)

O Inconsciente
O que sei que existe e q não vejo
Sinto
Quanto explode
Aparece
Quando me mostro
Vejo
Quanto te vejo
Permutado, em sua essência, por sua essência

Ela, a Razão, havia me dito para parar
Fechar portas
Ir embora
Em boa hora
Ela me explicou, claramente, todos os perigos

Eu não quis
Não quis assim
Eu sou egoísta
Narcisista
...
Eu só penso em mim
E em vc
em vc
em vc
em vc

Eu olho prá vc (sua imagem)
e te devoro
Te abro (não peço permissão)
Meto a boca (quero teu gosto)
Para (não paro)
Eu não presto
Eu tenho medo (daquela palavra)

--Junho de 2009

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

who am I?
just an old man
an old guy

aging fast each new day

my heart is flooded with the pain of life
pain of the many mistakes of my way

my path
looking out for my path
looking out for my past

words
words
pause

silences and sounds are all I have
vibrations of the air comming deep from my lungs

can't remember who I was
who I used to be
can barely accept who I am

still
still
still I follow
heading to the unknow

estilo do amor

olhares que se cruzam?
alinhamento de astros
planetas próximos por uma fração ínfima de tempo

o tempo do seu tempo de me ver
o tempo do seu tempo de ser minha

mãos esticadas
braços esticados

corpos que se agitam freneticamente

sinto o cheiro exalado por teu corpo

aromas

sinto o gosto dos respingos do teu suor em minha boca
oca
oca
oca
e eu não posso evitar a rima fácil

tão perto
tão perto
tão perto

e eu não tenho contato táctil

cabelos em desalinho
planetas em desalinho
astros q não vejo mais

te digo adeus